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12 de julho de 2014

A HISTÓRICA GOLEADA ALEMÃ




O resultado da decisão no Maracanã no próximo domingo tem um valor menor.  Pra mim a Alemanha é a Campeã dessa Copa. Se tivermos humildade suficiente, temos a oportunidade de crescer enquanto povo, enquanto civilização e até enquanto desportistas.

E se você não viu, aqui estão os SETE GOLAÇOS que a seleção alemã fez, não contra, mas no e a favor do Brasil.

1º GOL – A Alemanha optou por construir um Centro de Treinamento em Sta. Cruz de Cabrália que será deixado como legado para a comunidade.

2º GOL – A comitiva alemã estabeleceu com a comunidade baiana uma relação de integração, ao ponto de fazer reuniões para discutir protocolos de segurança que dificultavam o relacionamento.

3º GOL – Eles deram uma lição de simpatia, quebrando aquela imagem preconceituosa de “frios”.

4º GOL – Doaram 10 mil euros para a compra de uma ambulância para os índios pataxós.

5º GOL – Reformaram e gramaram um campo de futebol para a comunidade.

6º GOL – Vão financiar uma escola de atividades em período integral para as crianças da comunidade.

7º GOLAÇO – Nos mostraram a beleza e a superioridade de um futebol coletivo que não é baseado em estrelas individuais, mas num time. Enquanto criamos nossas crianças para competir no mercado, para tratar o colega de sala como um potencial rival num vestibular, eles fortalecem a filosofia da equipe, da solidariedade, de interação.

Entrega a taça pra eles. Pra nós, resta querer aprender e crescer.

PS - Enquanto isso, só se discute a humilhante derrota de um time de futebol, que, com certeza, aqui no Brasil se considera uma coisa muito mais importante.

12 de junho de 2014

VAI TER COPA




Claro! E por um motivo simples: é um evento que envolve interesses de bilhões de dólares.

Essa é a décima primeira Copa que eu assisto. E é fato, contra ou a favor, nunca vi uma Copa do Mundo com um clima tão estranho, ambivalente. O povo dividido, poucos espaços decorados e uma avalanche de notícias ruins.
Sempre foi comum o pessimismo em relação ao time. Mas, dessa vez, a seleção era a menor das preocupações.  

Depois de tanto que se falou, se fala e vai se falar, quero registrar alguns pontos, porque se há uma coisa que me irrita é essa manobra que a mídia faz para repetir tanto uma informação até que ela seja transformada em verdade.

1. A Copa é um evento privado, não é um evento público. Um grupo de pessoas ganha muito dinheiro com ele. Criar essa confusão entre público e privado faz parte de uma grande estratégia de criar facilidades e mobilizar essa coisa idiota chamada patriotismo.

2. Quando o governo brasileiro e o congresso assumiram compromissos tinham tempo suficiente para realizar todas as obrigações assumidas. E o grande mote para fazer deste um plano vencedor (aqui, entenda-se assumir compromissos e recursos públicos) era o bendito “legado”.

3. Vieram as manifestações e as feridas começaram a ser expostas. Promessas e compromissos começaram a ser desfeitos da maneira mais irresponsável e desavergonhada possível. E o tal legado mostrou-se um engodo.

4. O povo adora futebol e quer a Copa (exceto uma minoria). O que todos (ou a maioria) detestam é a mentira e a irresponsabilidade dos que prometeram e mais uma vez não fizeram. Esse é o ponto. Nossa imagem, mais uma vez, corre o risco de ser maculada como um país que não deve ser levado a sério.

5. Na reta final, toda a mídia recebeu o recado do departamento comercial: pessimismo não vende cerveja. Por favor, vamos mudar o foco e começara tratar positivamente do evento.  

E a Copa vai acontecer e dois legados restarão:

O primeiro é o intenso debate que emergiu, que certamente trará consequências, inclusive sobre as eleições que acontecem em seguida.

O segundo é ver que existe aqui um potencial de gentileza, de acolhimento, de alegria do povo, que quando não são prejudicados e contaminados pela ganância e pela corrupção, indicam o ambiente para grandes realizações.

Perdemos a Copa de fazer um trabalho magnífico. Na bola, que vença o melhor.

8 de junho de 2014

ETERNIDADE


Dizem os cosmólogos que conhecemos apenas 10% de tudo. 10% de um multiverso tão grande quanto o nosso é muita coisa, mas 90% é nove vezes mais. Ou seja, não sabemos muito mais que sabemos. Daí, é importante sempre deixar a possibilidade de que qualquer teoria, por mais absurda que seja, esteja correta e seja comprovada daqui a uns mil anos. E depois, mais mil anos adiante, seja desmentida.

Eu gosto de acreditar que existe vida após a morte e que os espíritos continuam conectados a este mundo dos vivos. Gosto de acreditar, mas não acho que seja verdade.

Sendo assim, pelo benefício da dúvida, faço planos para minha vida pós morte. Eu não sei o que eu vou ser quando crescer, mas já tenho um desejo do que vou ser depois que morrer: quero ser assombração.
Ora, eu sou comediante, gosto do que faço e quero fazer isso uma parte da eternidade. E, de tudo que sei sobre as possibilidades na vida eterna, ser assombração me parece a mais divertida.

Está nos meus planos puxar o pé de crianças e esconder debaixo da cama deles depois que a luz apaga. Eles gritam pela mãe e eu simplesmente desapareço.
Também quero aparecer no reflexo do espelho de ex-esposas e sumir deixando elas confusas sobre o significado daquela visão.
Outra atividade que me parece pândega é fazer barulho nos teatros velhos. Bater portas, janelas, soltar frases sem sentido, subir e descer varas.  
Imagine aparecer num terreiro e fazer previsões absurdas sobre a vida de umas pessoas? Ou possuir um pastor que está tentando exorcizar um crente?


Minha eternidade não tem nada de descanso. Quero continuar na farra.

23 de maio de 2014

DEUS ME LIVRE



Eu não tenho implicância com as religiões. São elas que têm implicância com a humanidade e sua irrefreável jornada evolutiva ascendente.
Qual o problema de vocês e do seu minúsculo deus?

Criminosos terroristas adoradores de Allah que em seu nome sequestraram duzentas adolescentes na Nigéria porque cometeram o crime de frequentar uma escola. E vão vendê-las como escravas sexuais.

O Papa vai a Jerusalém para realizar a façanha – acreditem – de rezar um Pai Nosso com seus irmãos ortodoxos, coisa que não fazem há mil anos. Adoram o mesmo Deus, clamam pelo mesmo Jesus, o Cristo, mas não conseguem se dar as mãos e rezar uma oração juntos?

No Congresso brasileiro, a bancada evangélica – que representa a região mais sombria da nossa civilização - recusava aprovar um projeto de lei que criminaliza a violência doméstica, sob o falacioso argumento de que “o estado não deve se meter em questões familiares”. Pais e mães podem bater o quanto quiserem em seus filhos porque essa é uma questão íntima.

São apenas três fatos recentes, ligados a três crenças ou grupos religiosos distintos, mas que mostram o que elas têm em comum: se constituírem um poder supremo, acima da lei, em nome de um ente que só existe em estado de subjetividade.

Precisamos livrar os seres humanos de padres, papas, pastores e outros que se arvoram ao direito de executar as leis de um deus que ninguém nunca viu. Para que um dia, livres das correntes das religiões eles possam encontrar um Deus, que seja só bondade e compaixão.

Que Deus nos livre das religiões. 

16 de maio de 2014

ME INCLUA FORA





Agora é oficial. Não sou mais flamenguista.

Eu adoro futebol (vôlei, basquete, tênis, curling) e vou continuar assistindo boas partidas.
Ser flamenguista é uma doença da qual quero me curar. E isso é uma sugestão que dou aos botafoguenses, atleticanos, vascaínos ou o que quer que você seja.

O “ismo” é um transtorno psicossocial que produz comportamentos indesejáveis.
Transforma o prazer e a alegria do esporte em ódio ao adversário. Pelas cores do clube nos tornamos inimigos mortais, fanáticos, imbecis, fundamentalistas. Nos descabelamos e sofremos por causa de um bando de espertos – dirigentes, empresários, jogadores - que transformaram o jogo em negócio.
Você acha que algum jogador ou empresário está preocupado com a sua alegria ou a qualidade do espetáculo?
Como quase tudo no mundo de hoje, é só dinheiro sendo movimentado numa embalagem qualquer. E nós somos a audiência que eles precisam e o ingresso que faz a máquina funcionar.

Do mesmo jeito não vou torcer pelo Brasil na Copa. Vou torcer pelo bom futebol e não acho que hoje ele seja praticado pelos brasileiros.
Orgulho de ser brasileiro? Que porra é essa? Não tenho orgulho sequer de ser humano!

E mais, quero que a empresa privada e os governos que (des)organizaram essa bagunça que chamam de “A Copa das Copas” se fodam. Sequer conseguiram cumprir os mínimos compromissos contratados. É uma vergonha!
E não podemos mais uma vez tirar a lição de que no fim das contas deu tudo certo porque fomos campeões. Não podemos continuar a ser esse país bagunçado, improvisado, irresponsável. Temos que crescer e que seja com a dor da derrota.

Saudade do Zico e da geral do Maracanã. Saudade da camisa sem logomarcas. Saudade do mundo quando havia paixão.