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28 de abril de 2011

AQUI, Ó!


Outro dia uma pessoa me pediu a indicação de uma peça que "não tivesse palavrões ou coisas obscenas" porque queria levar a família.
Eu respondi que na minha opinião "obsceno é uma criança passando fome ou fumando crack", isso sim é indecente.

Sociedade hipócrita essa em que vivemos que tolera a corrupção e todas as consequências devastadoras que dela advêm, mas não consegue conviver com expressões chulas e piadas picantes.

Outro dado importante é que somos um país que cultiva o humor e a piada. Nossos ambientes de intimidade são ricos em troça, apelidos, sátiras, causos debochados e muitas vezes com insinuações sexuais. Mas quando essa faceta cultural vai a público, a sociedade reage com repulsa. O velho cenário do patriarca que preserva o respeito à mesa diante da família, mas se refestela com a criada no canto da senzala.

Por conta disso vivemos um ambiente de censura e autocensura do humor. O comediante pensa duas vezes antes de se referir a alguém ou a alguma instituição e evita palavrões que possam ferir a casta sensibilidade de nossas famílias.

Eu defendo o uso do palavrão pelo simples motivo que é uma peça do vocabulário como outra qualquer, que tem seu momento próprio, adequado e insubstituível.

E defendo a libertação da piada desse controle medieval do politicamente correto. Não há ambiente melhor para o debate de ideias que o humor. A piada, antes de mais nada, tem que cumprir sua função de fazer rir. Tem que ser boa e bem contada.

No momento, os integrantes da Cia de Comédia Os Melhores do Mundo (que depois do TQ é a melhor Cia de humor do país) estão com suas contas bloqueadas por decisão da justiça. Em toda cidade que se apresentam fazem piada com alguma faculdade local. Mas a gloriosa Universidade Tiradentes de Aracaju se sentiu ofendida e conseguiu um juiz que cometesse tal agressão.

Com isso conseguiu mostrar que é a universidade pode ser um centro de obscurantismo. E que a justiça serve de instrumento para sustentar a prática inquisitória.

Pois que venham guardiões da moral e dos bons costumes! Bloqueiem nossas contas, cerceiem nosso direito de expressão, calem nossa boca, mas a piada vai sobreviver e continuará sendo contada. E quanto mais forte for seu ataque covarde, mais graça ela vai ter.